Nascer foi um erro do qual não tive culpa, mas sou responsável por ter acordado hoje. Mas foi este gosto amargo que não sai da boca que me fez levantar. Existir se resume a isto, não? Acordar, e escovar os dentes para não sentir o dissabor de uma realidade irrelevante, em que você apenas está aí. Sem sentido, sem razão. Fantasiando como as coisas poderiam ter sido, ou pior de tudo, como poderiam ser? "Sonho, não sei quem sou neste momento. (...) Se existo é um erro eu o saber. Se acordo parece que erro. Sinto que não sei. " Nisto o poeta está certo, mas que não importa o tamanho da alma; não, não vale a pena. E agora, desperto, não consigo voltar ao não existir do sono que há pouco me abraçava. Tanto esforço para desvirtuar o iniludível, a aventura vã da vida, da qual fugindo descubro-me Édipo a cumprir o próprio destino.
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