Encolhida no canto do colchão estirado no meio da sala, envolvera seu corpo manifestante com uma manta branca, enquanto eu improvisava um varal para nossas roupas encharcadas e aquecia água para um chá. Primeiro dia do inverno em Curitiba. - Você acredita que com todos estes protestos as coisas vão melhorar? Tentei ganhar algum tempo antes de despejar o que pensava enquanto preenchia cuidadosamente a única xícara que possuía. - Não. Mas seria ainda mais incômodo nem mesmo participar. Ela refletiu por alguns instantes, enquando girava a xícara entre as mãos para aquecer os dedos. - Não entendo como você não joga na loteria. – Respondeu. – Pelo menos uma vez por semana você teria o sonho de que as coisas vão melhorar. E então me estendeu a xícara e o seu calor.
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