Saturday, June 28, 2014

A Partida de Asja

Você me prometeu seu amor, me prometeu uma vida. Mas todas as promessas eram apenas palavras que o tempo apagou. Ainda leio em suas cartas, dirigia-as como amado, querido, amor de sua vida. Talvez eu quisesse ser salvo desta minha existência sofrida, ser transportado para seu mundo e protegido, escondido de toda vileza da realidade que me contém. Mas quando eu pedi seu amor, você se afastou... deixou-me sozinho em uma vida sem futuro. Prometeu-me um sonho, mas quando então acordei, estava nesta cama sem você ao meu lado. Durante o dia sou forte e contenho as lágrimas, forças me sobrevém mesmo sem saber para onde prosseguir. Mas com a noite que desce, a saudade e as lágrimas fluem incontroláveis. Um vazio que nada pode suprir: as esperanças desperdiçadas! Acreditei em cada palavra como se fosse verdade, juro. Sei que não mentia, sei que me amava, e sei que me enganava. Mas acreditar foi o bálsamo que me fez sonhar com a liberdade. Sonhar que algo maravilhoso, escrito pelo destino desde o princípio dos tempos, se estendia a minha frente. Fiz planos, contruí castelos em minha imaginação, no qual esperava tal qual rapunzel, o visitante que me jurara eterno amor. Mas seu amor era brinquedo e os castelos eram de cartas, que uma mão perversa do destino me as distribuiu. E eu não sei o que fazer com este Valete que ainda se encontra sob meu travesseiro, mantenho-o ali, aquecido e salgado por cada lágrima derramada. Um tormento do qual não posso escapar é o amor que me prometera. Por que o fizeste? Por que adocicaste meu amargo coração? O sabor do fel se espraia em meu palato, meu olhos se turvam quando vejo o futuro. Quase não me posso mover, não fosse esse despertador que me acorda toda manhã nem mesmo sairia daqui. Só queria que tudo sumisse, como um sonho ruim, mas ficassem as memórias boas... Ah, se não houvessem as promessas, se não houvessem os sonhos, pelo menos teria sido o prazer, mas roubaste-me o direito de sonhar e abandonaste-me nesta grota escura onde mão alguma pode me alcançar. E o prazer se transformara em plenitude de dor. Meu coração não mais palpita, apenas bombeia um sangue, sem sabor e frio. Durmo pensando em tudo que poderia ter sido, em todos os sonhos que poderíamos ter sonhados juntos. Mas sonhei sozinho, fui apenas um momento em sua vida; e, naqueles instantes, foste minha vida toda. Até concordei que não tínhamos futuro, até aceitei que era impossível. Mas mentia, nada importaria se estivesse ao meu lado. Todas as forças que este amor me nutria fariam-me forte para vencer qualquer desafio. O que não sabia é que estava só: somente eu sonhava. Enredou-me de tal forma em sua fantasia que me deixei levar, pois, afinal, eu sentia que precisava deste sonho. Mas agora não sonho mais, sequer posso dormir.

1 comment: